Debaixo da lona cultural

Todo mundo que mora no chamado subúrbio das zonas norte e oeste, assim como eu, sabe que não é só para tomar banho de mar que o povo suburbano precisa se despencar para o outro lado do Rio de Janeiro. É como se a praia tivesse um imã que atraísse para a zona sul e região da Barra da Tijuca a maior parte da oferta de entretenimento na cidade. Palavra de quem entende o que está falando por experiência própria.

É por isso que, se meu guarda-chuva cultural tivesse mãos, ele certamente bateria palmas para as lonas culturais. Criadas pela Secretaria Municipal de Cultura para multiplicar o acesso à cultura e descentralizar a produção cultural, as dez lonas cariocas oferecem à população espetáculos de música, teatro, dança, poesia e cinema, além de cursos e oficinas. Tudo a preços populares. E engana-se quem pensa que a programação das lonas não é atrativa. Cada vez mais figuras conhecidas estão se apresentando nesses espaços. Para quem reside próximo às lonas, é uma excelente opção de lazer e cultura sem ter que se preocupar com grana e transporte.

Mas, em janeiro deste ano, a Secretaria Municipal de Cultura e a Defesa Civil anunciaram a interdição de quatro lonas para obras. Devido ao mau estado de conservação e problemas na estrutura, as lonas de Realengo, Anchieta, Guadalupe e Complexo da Maré ficariam fechadas até que a manutenção fosse concluída, o que deveria acontecer em quatro meses. Deveria, porque não aconteceu. O edital das obras sofreu um atraso e a situação continua na mesma.

Nessa história, a boa notícia é que a Lona Cultural Gilberto Gil, em Realengo, não está interditada! Sim, quando foram divulgadas quais lonas seriam fechadas, um equívoco fez com que ela fosse incluída na lista. De acordo com Darlene Carvalho, que faz parte da equipe que administra a lona, uma avaliação detectou infiltrações, mas os reparos foram feitos em apenas uma semana, no mês de janeiro, sem que as atividades precisassem ser paralisadas.

No Orkut, a notícia da interdição gerou um certo pânico nos frequentadores da lona, justamente pela possibilidade dos shows que já estavam agendados serem cancelados. Alguns chegaram a procurar a administração, pessoalmente ou por telefone, para esclarecer o que aconteceria dali para frente.

Alô, alô, Realengo! Aquele abraço!

Segundo Darlene, a Lona Cultural Gilberto Gil, inaugurada em 30 de maio de 1998, proporciona um ambiente bastante familiar aos freqüentadores. “Pais e mães trazem os filhos para assistir a artistas que eles gostavam quando eram jovens”, conta. Além disso, o clima intimista gera satisfação tanto para quem está se apresentando quanto para o público. “A receptividade é muito grande, dos dois lados. Ao final do espetáculo, os artistas sempre recebem as pessoas no camarim para conversar e tirar fotografias, e essa troca é muito legal.”

O único dia da semana em que a lona tem uma programação fixa é o domingo, sempre dedicado a espetáculos teatrais infantis. Nessas ocasiões, a lona abre as portas ao seu público mais cativo, os pequenos, chegando a receber cerca de 400 pessoas em cada apresentação. Nos outros dias da semana, as atrações são as mais variadas possíveis. As musicais, por exemplo, vão do rock ao forró, passando pela MPB.

A lona também oferece oficinas de teatro, capoeira, balé clássico, violão, jazz, street dance, ginástica para a terceira idade e tai-chi-chuan. As atividades acontecem duas vezes por semana e começam sempre após o Carnaval, indo até dezembro. Mas, como são oficinas, não é necessário participar desde o início. É cobrada apenas uma mensalidade de R$20 e não são exigidos pré-requisitos aos participantes.

Para Darlene, a Lona Cultural Gilberto Gil, assim como todas as outras, têm importância sócio-cultural e representam uma conquista para as regiões onde estão instaladas. Fatores como preços populares e proximidade contribuem para o sucesso da lona, embora uma enquete realizada pela própria equipe de administração mostre que cerca de 50% dos freqüentadores são moradores de Realengo e adjacências, e os outros 50% de diversos bairros do Rio de Janeiro. “O principal fator atrativo é mesmo a cultura, principalmente onde não há muitas opções”, finaliza.

1 comentários:

Soraia Lima disse...

Atualizando as noticia aqui, foi anunciada esta semana no Diário Oficial do Município os novos gestores da Lona Cultural Gilberto Gil, a atual administração da Lona Cultural Gilberto Gil que tanto contribuiu para formar platéias e alavancar a cultura na Zona Oeste foi expulsa da Lona através de uma licitação duvidosa promovida pela secretaria Jandira Feghali e seus Saddans, para o lugar de Vicente de Paula e sua turma, quem assume são os contadores Marconi/Magda, (carta marcadíssima) como vcs podem ver a cultura na cidade do Rio de Janeiro administrada por médicos, advogados, contadores, políticos etc, Quem conhece a Lona Gilberto Gil sabe muito bem do cuidado e comprometimento da rapaziada com o projeto, a Lona GG é sem duvida junto com João Bosco as melhores lonas do Rio e ainda assim vai ter que passar de mão beijada para os contadores. Que injustiça, as pessoas precisam esta mais atentas quanto aos acontecimentos na cultura do Rio, o pouco que foi construído menos pelo desejo dos governantes e muito mais pela ralação, dedicação e insistência dos movimento populares esta sendo destruídos pela insensibilidade de políticos ultrapassados. No aguardo agora para os próximos administradores, dizem que vem ai veterinários, padeiros, desocupados etc. TÁ DIFICIL A SITUAÇÃO NA CULTURA.

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